Operação apura denúncia de superfaturamento em hospital do marido da vice-governadora de PE


O Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (DenaSUS) iniciou, na manhã desta quarta-feira (3), uma operação com o objetivo de apurar uma denúncia - feita pelo deputado Rodrigo Farias, em outubro de 2025 - de superfaturamento no Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Garanhuns, no Agreste de Pernambuco. Segundo as apurações iniciais do órgão, foi identificado um aumento abrupto de 42% no volume de recursos do SUS repassados pelo Governo do Estado para a unidade de saúde. O equipamento privado tem como sócio o empresário Jorge Branco Neto, marido da vice-governadora Priscila Krause (PSD). 


“Entre 2012 e 2016, era algo em torno de R$ 400 mil, R$ 500 mil que eram repassados anualmente. Agora, de 2023 a 2025, nós estamos falando de R$ 60 milhões. A denúncia apresenta que, de 2019 para cá, já foram 42% de aumento. O que é que motivou isso? É isso que a auditoria vai identificar: se, de fato, a produção que está sendo apresentada é compatível com a capacidade instalada do hospital, se de fato foi feito um estudo técnico que motivasse o credenciamento para a contratação do hospital”, explicou o diretor do DenaSUS, Rafael Bruxellas Parra, que abriu os trabalhos com uma inspeção no hospital.


Segundo o gestor, a fiscalização in loco, que prosseguirá até sexta-feira (6), terá o objetivo de reunir documentos e confrontar os dados fornecidos pela Secretaria de Saúde de Pernambuco com os serviços prestados pela unidade contratada. Parra explicou que a relação pessoal entre o sócio do hospital e a vice-governadora também será levada em conta se ficar comprovado algum favorecimento. “Nós vamos analisar nesse processo o que motivou esse aumento, se há de fato algum tipo de interferência da relação pessoal entre a direção do hospital, o quadro societário, e algum servidor público do Governo do Estado. Isso será analisado e claro que, se for comprovado, será uma quebra do princípio de impessoalidade”, declarou.


O diretor explicou ainda que operações como essa são uma praxe do Ministério da Saúde – mais de 380 ocorreram até 2025 – para zelar pela aplicação de recursos do SUS. “Estamos aqui por uma determinação do ministro Padilha, do presidente Lula, de que o diretor do DenaSUS acompanhe auditorias nas cinco regiões do Brasil. Já iniciamos esse processo há mais de 30 dias e pretendemos concluir em até 45 dias. Encaminharemos esse relatório para o órgão auditado, que é a Secretaria de Saúde do estado, e ela terá um prazo para apresentar suas justificativas, caso sejam encontradas inconformidades”, disse.

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