Memória e Legado: Delmiro Pereira de Barros (1900–1986)

 


Há homens que passam pela terra — e há homens que a transformam em lar para os outros. O senhor Delmiro Pereira de Barros pertence a essa rara linhagem de visionários cuja simplicidade era proporcional à sua generosidade e senso de justiça social.

Em 1969, em um gesto que mudaria para sempre o mapa urbano e o destino de muitas famílias, Delmiro não apenas abriu as cercas de sua propriedade — abriu caminhos para a dignidade. Ao permitir o aforamento e a construção das casas de seus rendeiros, deu origem ao que hoje é conhecido como Vila Delmiro, uma das comunidades mais marcantes de São José do Belmonte.

Seu compromisso, porém, não se limitou à moradia. Com igual sensibilidade espiritual e comunitária, ele também doou o terreno destinado à construção da capela que se tornaria a Igreja de Nossa Senhora das Dores, fortalecendo não apenas o espaço físico da comunidade, mas também sua vida de fé e convivência.

Mesmo sendo proprietário de terras e figura de influência, Delmiro Pereira de Barros sempre foi lembrado pela postura humilde e pelo trato simples com as pessoas. Seu legado não está ligado à riqueza material, mas ao impacto humano de suas ações.

Em 1986, despediu-se desta vida, mas não da memória coletiva. Décadas depois, o reconhecimento público veio em forma de homenagem permanente: o busto erguido na praça central da Vila Delmiro simboliza mais que bronze e pedra — representa gratidão histórica.

A trajetória de Delmiro Pereira de Barros reafirma que cidades não são construídas apenas com obras, mas com gestos de generosidade que atravessam gerações.

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