Morre Raul Jungmann, ex-ministro e ex-deputado federal de Pernambuco, aos 73 anos


A política brasileira amanheceu em luto neste domingo com a confirmação da morte de Raul Belens Jungmann Pinto, aos 73 anos, em Brasília. Natural de Recife (PE), Jungmann faleceu no Hospital DF Star, onde estava internado em tratamento contra um câncer no pâncreas que enfrentava há vários anos.

Trajetória de vida e política

Raul Jungmann foi uma figura marcante da vida pública brasileira por mais de cinco décadas. Sua carreira começou ainda nos movimentos de oposição à ditadura militar, quando se filiou ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e participou ativamente das mobilizações do movimento Diretas Já.

Ele nasceu em 3 de abril de 1952, em Recife, filho de Ivanise Belens Moreira e Sylvio Jungmann da Silva Pinto. Ao longo de sua vida, atuou tanto no Legislativo quanto no Executivo, deixando um legado significativo — especialmente para o estado de Pernambuco.

No Legislativo

Jungmann foi eleito deputado federal por Pernambuco em três mandatos: 2003-2007, 2007-2011 e 2015-2019. Ao longo desses anos na Câmara dos Deputados, representou os interesses do estado no Congresso Nacional e participou de comissões importantes, incluindo temas de segurança pública e combate ao crime organizado.

Sua trajetória parlamentar o consolidou como uma liderança influente, com forte atuação em pautas como defesa dos direitos humanos, reforma agrária e políticas sociais.

No Executivo

A carreira ministerial de Jungmann é uma das mais diversas da República recente:

Ministro de Política Fundiária e depois do Desenvolvimento Agrário durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (1996-2002), onde atuou em políticas de distribuição de terra e apoio à agricultura familiar.

Ministro da Defesa no governo Michel Temer (2016-2018), liderando as Forças Armadas em um período de desafios crescentes na segurança nacional.

Primeiro Ministro da Segurança Pública (2018-2019), cargo recém-criado na época para reforçar coordenação federal na área, especialmente diante de crises de violência urbana.

Além disso, Jungmann presidiu o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e, mais recentemente, exercia a função de presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) desde 2022, defendendo políticas de desenvolvimento sustentável e inovação no setor mineral.

Luta contra a doença e últimos dias

Raul Jungmann vinha combatendo um câncer no pâncreas nos últimos anos. Ele foi hospitalizado diversas vezes em Brasília desde o final de 2025 e, após um agravamento do quadro de saúde, faleceu em 18 de janeiro de 2026.

Em respeito a sua vontade, foi anunciado que o velório ocorrerá em uma cerimônia reservada à família e amigos próximos.

Repercussão e legado

A notícia da morte de Jungmann mobilizou autoridades e líderes políticos de diversos espectros. Parlamentares, ministros e governadores expressaram pesar, destacando sua contribuição à democracia, ao diálogo institucional e ao serviço público.

Para muitos, sua carreira simboliza um compromisso com a construção de políticas públicas amplas, que atravessaram governos de diferentes correntes políticas e refletiram a complexidade da vida nacional nas últimas décadas.

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