Sessão solene homenageou Assembleia de Deus na Câmara dos Deputados


A Câmara dos Deputados teve na manhã desta segunda-feira (8) sessão solene para homenagear a igreja evangélica Assembleia de Deus (IEAD). Solicitada pelo deputado pastor Hidekazu Takayama (PSC-PR), a solenidade foi prestigiada por pastores de todo o Brasil, que foram à Brasilia participar da 41ª Assembleia Geral Ordinária da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB).

A Assembleia de Deus é a maior igreja pentecostal do Brasil, com estimativa de 12 milhões de membros e neste ano de 2013 completa 102 anos de atuação no país.

Coube ao deputado Hidekazu Takayama presidir a sessão que contou ainda com o deputado pastor Francisco Eurico como secretário Ad hoc. Dentre os pastores que compuseram a mesa estavam Ailton José Alves, líder da IEAD em Recife (PE), Samuel Câmara, líder da IEAD em Belém (PA) e também candidato à presidência da CGADB e José Wellington Bezerra da Costa, atual presidente da CGADB e candidato à reeleição.

Takayama elogiou o trabalho realizado pela Assembleia de Deus na recuperação de pessoas “alijadas” da sociedade, como usuários de drogas, prostitutas e mendigos. “São pessoas que não têm chance, mas que são recuperadas pelo trabalho extraordinário que heróis anônimos fazem por todo o Brasil”, afirmou.

No plenário, os deputados evangélicos usaram a tribuna para fazer um desagravo ao deputado Marco Feliciano (PSC-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, acusado de adotar posições racistas e homofóbicas. Os parlamentares elogiaram a “coragem” de Feliciano e defenderam o direito de um partido cristão presidir o colegiado.

Às acusações de que Marco Feliciano é racista e homofóbico, o deputado Takayama (PSC-PR), disse que os pastores evangélicos amam os homossexuais, apesar de não amarem a prática. Takayama criticou as recentes manifestações ocorridas na Câmara contra Feliciano. “O que não está correto é querer fazer baderna na Câmara, colocar ativistas para denegrir a imagem de um cristão. Nunca nos opomos a que simpatizantes dos homossexuais ocupassem a presidência de uma comissão. Agora, quando temos a oportunidade de colocar alguém em uma comissão, não podemos”, enfatizou o deputado paranaense.

Para o deputado Nilton Capixaba (PTB-RO), Feliciano está sendo ferido em seu direito à liberdade de expressão. Capixaba parabenizou o pastor por defender o povo evangélico. Na opinião do deputado de Rondônia, Feliciano saberá cumprir o regimento da Câmara na condução dos trabalhos da Comissão de Direitos Humanos. “Ele fará chegar o direito humano às pessoas que precisam.”

Os evangélicos disseram ainda que estão dispostos a defender na Casa os interesses da família brasileira. Os parlamentares se posicionaram contrariamente a qualquer tipo de proposta que legalize o aborto, regulamente a prostituição como profissão ou descriminalize as drogas. “Se depender dos deputados da Assembleia de Deus, essas leis não passarão nesta Casa”, resumiu o deputado pastor Ronaldo Fonseca (PR-DF).

O deputado Ronaldo Nogueira (PTB-RS) acrescentou que os integrantes da Assembleia de Deus atuam em defesa da família, da fé e do trabalho - princípios que, segundo ele, estão sendo afrontados nos dias atuais. Nogueira disse que, juntamente com a bancada católica, os parlamentares religiosos trabalharão para que o Brasil não aprove leis que “afrontem a santidade de Deus”.

Já Nilton Capixaba disse que, se não fosse a bancada evangélica e seus mais de 70 integrantes, várias “coisas desagradáveis” já teriam acontecido para as famílias e os evangélicos.

Além dos deputados tiveram oportunidade de discursar os pastores José Wellington Bezerra da Costa e Samuel Câmara que destacaram o trabalho desenvolvido pela igreja no país. Na conclusão o pastor Ailton José Alves, dirigiu uma oração de agradecimento a Deus pela realização da solenidade.

Abrilhantou a sessão solene com a apresentação de algumas músicas sacras, o Coral Ebenézer, da Assembleia de Deus em Gama, no Distrito Federal

Protesto 

Um grupo de cinco pessoas discutiu com a Polícia Legislativa para conseguir entrar no plenário da Casa Legislativa, onde estava sendo realizada uma sessão solene. 

Os manifestantes carregavam cartazes criticando a mistura da religião com a política. As faixas diziam: "Estado laico é uma conquista" e "Não ao retrocesso fundamentalista". 

O grupo apenas abriu as faixas durante poucos minutos durante a sessão e, logo depois, saiu. 

A sessão continuou e o deputado Hidekazu Takayama fez um pronunciamento onde disse que a bancada evangélica no Congresso Nacional não é homofóbica e que os deputados não são intolerantes aos homossexuais, mas aos "manifestantes que fazem baderna" na Casa Legislativa.


Escrito por Francisco Evangelista com informações da Agência Câmara.

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