Espionagem, perseguição e intimidação: Raquel Lyra é investigada pela PF acusada de usar a máquina contra adversários


_Investigações ampliam tensão entre Governo de Pernambuco e setores da oposição_


A decisão do ministro Gilmar Mendes de determinar que a Polícia Federal investigue denúncias de suposto monitoramento ilegal envolvendo integrantes da Prefeitura do Recife trouxe para o centro do debate político pernambucano uma série de acusações que vêm se acumulando contra o Governo Raquel Lyra. Além do caso que chegou ao Supremo Tribunal Federal, episódios envolvendo o presidente da Assembleia Legislativa, Álvaro Porto, a deputada estadual Dani Portela e a delegada Natasha Dolci passaram a alimentar suspeitas levantadas por opositores sobre possíveis práticas de perseguição política, monitoramento de adversários e uso da máquina estatal em disputas políticas. 


O episódio que levou o caso ao Supremo envolve denúncias de que auxiliares próximos ao prefeito João Campos, incluindo integrantes do primeiro escalão da Prefeitura do Recife, teriam sido alvo de ações de monitoramento atribuídas a setores da segurança pública estadual. A suspeita de utilização da máquina de inteligência para acompanhar adversários políticos foi o elemento que levou o caso a ganhar repercussão nacional e motivou a determinação para que a Polícia Federal assumisse as investigações. 


Confira algumas denúncias que vêm sendo associadas ao debate sobre suposta arapongagem e perseguição política em Pernambuco:


*Álvaro Porto fala em arapongagem política -* A crise ganhou novos capítulos após o presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, Álvaro Porto, passar a fazer críticas públicas à atuação de setores do governo estadual. Em pronunciamentos recentes, Porto afirmou ter sido alvo de monitoramento e acusou integrantes da estrutura estadual de realizarem levantamentos sobre sua vida pessoal. O parlamentar chegou a afirmar que teve sua intimidade violada e encaminhou representações ao Ministério Público e à Polícia Federal solicitando apuração dos fatos.


As declarações ampliaram o desgaste político do governo porque partiram justamente do presidente do Poder Legislativo estadual, cargo que já vinha acumulando divergências públicas com o Palácio do Campo das Princesas. Nos bastidores da Assembleia, deputados passaram a demonstrar preocupação com o que classificam como uma escalada das tensões institucionais entre os poderes.


*Caso Dani Portela amplia denúncias de perseguição -* Outro episódio que passou a integrar o debate político entre Palácio e Alepe envolve a deputada estadual Dani Portela. A parlamentar denunciou publicamente a atuação de Manoel Medeiros, na época assessor ligado ao governo estadual, após a apresentação de denúncias envolvendo contratos de seu gabinete.


Dani classificou a iniciativa como tentativa de intimidação política e acusou integrantes próximos ao governo de promoverem ações para desgastar adversários. O caso ganhou repercussão após o arquivamento das acusações por órgãos de controle, fortalecendo o discurso da deputada de que teria sido alvo de uma ofensiva sem comprovação de irregularidades.


*Natasha Dolci denuncia perseguição e intimidação -* As denúncias de perseguição também passaram a atingir integrantes da própria estrutura da segurança pública estadual. A delegada Natasha Dolci afirma ser alvo de perseguição institucional após críticas à gestão da segurança pública. Segundo ela, houve abertura de processos administrativos, tentativas de punição disciplinar e monitoramento de sua atuação após manifestações públicas contra a cúpula da Secretaria de Defesa Social.


Em maio deste ano, Natasha também relatou uma suposta situação de intimidação durante uma viagem a Natal, no Rio Grande do Norte. A delegada afirmou ter percebido ações suspeitas de acompanhamento durante o deslocamento. Não há, até o momento, conclusão oficial sobre o episódio.


*Prefeitos e lideranças também levantam suspeitas -* Nos bastidores da política pernambucana, prefeitos, vereadores e lideranças ligadas à oposição passaram a relatar preocupação com o que consideram tratamento diferenciado por parte do governo estadual. Embora não existam investigações formais envolvendo a maioria desses relatos, parlamentares oposicionistas afirmam que o conjunto de episódios contribui para alimentar a percepção de perseguição política e uso da máquina pública em disputas partidárias.


É justamente essa sucessão de denúncias que tem sido utilizada pela oposição para defender investigações mais amplas sobre a atuação de setores da administração estadual.

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