Há quem reclame que a cidade está ficando cheia de lixo. Que as ruas estão diferentes, que o vento espalha tudo, que o mau cheiro vem de longe. Mas se observarmos com atenção, veremos uma verdade incômoda: não é a cidade que está se transformando em um depósito de lixo; são alguns moradores que insistem em tratá-la como se fosse.
Pense bem: todos sabem o dia da coleta. O caminhão passa, buzina, recolhe os sacos, segue seu caminho. Mas basta um único morador colocar o lixo fora do horário para que os animais rasguem os sacos, para que restos de comida fiquem espalhados pelas calçadas, para que moscas e mau cheiro comecem a tomar o espaço que deveria ser de circulação, convivência e orgulho comunitário. E quem passa por ali, quem olha de fora, não vê o nome de ninguém escrito na sacola. A culpa, aos olhos do povo, parece ser de todos.
A ironia é que muitas vezes são justamente os que deixam o lixo em qualquer dia e qualquer hora os primeiros a reclamar que a cidade está suja. Mas a responsabilidade não é de quem recolhe — é de quem descarta de qualquer jeito. Não existe varrição capaz de resolver o descuido de quem acredita que a porta de casa é lixeira pública.
O mais revoltante é que a atitude de poucos acaba prejudicando muitos:
🟡 crianças brincam perto da sujeira;
🟡 comerciantes perdem clientela por causa do mau cheiro;
🟡 idosos e enfermos sofrem com mosquitos e pragas;
🟡 turistas formam uma imagem negativa da cidade.
E tudo isso poderia ser evitado com algo simples: respeitar o dia e o horário da coleta.
Antes de culpar a rua, o caminhão, os garis ou quem quer que seja, é preciso encarar os fatos:
👉 o lixo não caminha sozinho até a calçada;
👉 não se amarra sozinho no poste;
👉 não aparece sozinho nas esquinas.
Alguém, em algum lugar, tomou a decisão de colocar a sacola ali, mesmo sabendo que não era o dia certo.
Por isso, quando alguém disser que a cidade está suja, talvez o pensamento deva ser outro:
🔹 A cidade está suja, ou
🔹 existe gente sujando a cidade?
A responsabilidade é coletiva, mas o erro é de quem insiste em agir como se as regras fossem para os outros. Enquanto não houver consciência, o problema vai continuar caindo sobre todos — inclusive sobre quem faz a sua parte corretamente.
Respeitar o horário de coleta não é favor, é respeito com o vizinho, com a saúde e com a própria cidade. Uma cidade limpa não depende de milagres: depende apenas de que cada morador pense antes de colocar o lixo na rua.
Reflexão editorial: Portal Geo Belmonte Notícias


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