Após tragédia, Belmonte relembra a trajetória de Antônio de Celim


Comerciante assassinado na noite da última segunda-feira teve a vida marcada pelo trabalho, conquistas e também por grandes perdas

Um dia após o brutal assassinato de Antônio Fernando Baia da Silva, conhecido como Antônio de Celim, São José do Belmonte ainda sente fortemente a dor da tragédia. Aos 57 anos, o comerciante, nascido em 15 de novembro de 1967, teve sua vida interrompida em frente ao próprio frigorífico, no Bairro da Cacimba Nova, na noite da última segunda-feira (18).

A notícia, que já havia chocado a população, ganhou ainda mais peso pela lembrança amarga de dezembro de 2021, quando o filho caçula de Antônio, Aykaro, foi assassinado no mesmo local. Três anos e oito meses depois, a cena se repetiu, desta vez com o próprio pai, em um ciclo de violência que entristece profundamente a cidade.

Antônio aprendeu cedo o valor do trabalho. Ao lado do pai, acompanhava o gado, a compra e venda, o abate e a comercialização de carne nas feiras livres de São José do Belmonte e região. Essa vivência o moldou para a vida de comerciante e agricultor.

Casado com Dona Salete, foi na Vila Carolina que construiu sua primeira casa e formou família, criando o filho primogênito, Ayron. Já na Cacimba Nova, nasceu o segundo filho, Aykaro, e foi também nesse bairro que deu novos passos na vida profissional, expandindo seu negócio com a abertura do próprio frigorífico.

Sempre dividido entre o cuidado com a Fazenda Várzea, onde mantinha um pedaço de chão, e o comércio, Antônio conquistou a clientela no Mercado Público Municipal até consolidar seu nome no ramo. Trabalhador incansável, tinha como paixões o cuidado com a terra, o serviço diário e o zelo pelos carros que possuía, sempre bem cuidados como símbolo de seu esforço.

A vida, no entanto, também lhe reservou golpes cruéis. A morte do filho Aykaro, em 2021, foi uma ferida profunda que nunca cicatrizou. O crime, até hoje presente na memória da comunidade, deixou marcas irreparáveis na família.

Agora, pouco mais de três anos depois, o destino repetiu a tragédia de forma brutal. A execução de Antônio em frente ao frigorífico trouxe à tona a sensação de insegurança e o peso da violência que insiste em assombrar famílias sertanejas.

A morte de Antônio de Celim deixou familiares, amigos e clientes em luto. Conhecido pela honestidade e perseverança, era visto como exemplo de trabalho e dedicação em São José do Belmonte.

A Polícia Civil segue investigando o caso na tentativa de identificar e prender os autores. Enquanto isso, o povo belmontense se despede de mais um filho ilustre, guardando na memória sua trajetória marcada por luta, conquistas e pela busca incessante de dias melhores para sua família.

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