Promotora chama de chacina da vingança, episódio ocorrido em São Gonçalo no RJ

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Na avaliação da defensora pública do Rio de Janeiro, Maria Júlia Miranda, a operação policial no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, que matou ao menos oito pessoas no domingo (21) foi uma "operação vingança", em retaliação à morte de um policial na região no dia anterior.

"Uma operação que se caracteriza como 'operação vingança'. A operação terminou após 33 horas seguidas, um dia após a morte de um policial militar", observa, em entrevista ao UOL News hoje (23).

Maria Júlia também destaca o fato de os policiais não terem nem feito o registro do ferimento de uma senhora de 71 anos. "Existe uma estigmatização do território da favela, como se, obrigatoriamente, estivessem submetidos à violência do Estado."

O Ministério Público já instaurou processo investigatório sobre a chacina. "Precisa ser apurado. A política pública precisa ser compreendida como uma forma decente de fazer essas operações", disse a defensora.

Corpos identificados

A Polícia Civil informou na tarde de ontem que identificou sete dos oito corpos que chegaram ao Posto Regional de Polícia Técnico-Científica em São Gonçalo, região metropolitana do Rio de Janeiro. Todos foram retirados por moradores, na manhã de ontem de uma região de mangue do Complexo do Salgueiro. Nenhuma das identidades foi revelada.

De acordo com a Polícia Civil, cinco dos homens já identificados possuem anotações criminais. A corporação não informa, porém, as tipificações dos crimes.

Moradores que participaram da retirada relatam que contaram 11 corpos. Em nota, a Faferj (Federação das Associações de Favelas do Rio de Janeiro) cita 14 mortes, sendo três meninas.


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