Bancada evangélica consegue barrar criação de Frente LGBT na Assembleia Legislativa

Na galeria, pessoas presentes deram as costas aos deputados evangélicos durante sessão para votação da frente LGBT (Thiago Neuenschwander/DP/D.A. Press) (Thiago Neuenschwander/DP/D.A. Press)
Na galeria, pessoas presentes deram as costas aos deputados evangélicos durante sessão para votação da frente LGBT (Thiago Neuenschwander/DP/D.A. Press)
A Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) não aprovou a criação da Frente Parlamentar em Defesa da Cidadania LGBT (Frente LGBT), votada na sessão plenária desta terça-feira (17). De autoria do deputado estadual Edilson Silva (PSOL), o requerimento gerou atritos dentro da Comissão de Direitos Humanos, principalmente com a bancada evangélica da Casa.

A Frente LGBT precisava de 25 votos contando com todos os 49 parlamentares, mas só conseguiu atingir 23. Ainda, 10 parlamentares votaram contra o requerimento e outros 15 estavam ausentes no momento da votação. O deputado Vinícius Labanca (PSB), por presidir a sessão, não votou pelas regras da casa.

O resultado foi uma vitória para a bancada evangélica da casa, formada por apenas sete deputados, mas que com uma rápida articulação conseguiu outros três votos e que outros deputados deixassem o plenário antes da votação nominal. O deputado André Ferreira (PMDB), um dos integrantes da bancada evangélica, afirmou que a criação da frente era um instrumento desnecessário, já que dentro da Casa de Joaquim Nabuco existe uma Comissão de Direitos Humanos para discutir as demandas das minorias. "Temos que debater políticas públicas para todos e não dar privilégios a um segmento específico", ponderou.


O deputado Edilson Silva (PSOL), autor do requerimento, disse que o resultado foi uma derrota para a Assembleia, pois a imagem que fica para a sociedade é de um Legislativo que não terá um espaço para discutir demandas de um segmento oprimido, que necessita de políticas públicas específicas. Edílson afirmou também que pretende estudar o regiemento interno da Casa para tornar a trazer a proposta de um espaço para debate de temas ligados ao segmento LGBT, mesmo que em outro formato.

Durante a sessão, houve debates acalorados entre parlamentares favoráveis e contrários à proposta. O deputado André Ferreira chegou a dizer que Edilson queria se promover em cima da causa LGBT. O representante do PSOL rebateu e disse que nunca viu ninguém ir à tribuna tratar um colega com tanto desrespeito durante esta nova legislatura. Na galeria da Assembleia, estavam várias pessoas ligadas a movimentos LGBT. Cartazes exprimiam o sentimento dos presentes: "Não queremos migalhas, queremos direitos" e "LGBTfobia mata... Escorre sangue das mãos da Alepe". 

BASTIDORES

Enquanto os debates rolavam no plenário, tanto o deputado Edilson Silva, quantos os membros da bancada evangélica se articulavam para conseguir os votos necessários. Os religiosos conseguiram, além dos seus sete votos, outros três: o do deputado Guilherme Uchoa (PDT), do deputado Dr. Valdi (PP) e do deputado Joaquim Lira (PSD). Pelo menos oito deputados estiveram presentes durante a sessão, mas deixaram o plenário antes da votação. Em reserva, um dos deputados da bancada evangélica admitiu que houve articulação para que alguns saíssem, impedindo os favoráveis de alcançar o número mínimo para aprovação. 

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